Madeirenses ainda possuem boas jóias e relógios de qualidadeRoadshowEU visita a Madeira frequentemente para comprar objectos de valor (http://www.jornaldamadeira.pt/not2008sup.php?Seccao=16&id=75991&sup=5&sdata=2007-09-01)Pode já não ser valorizado no dia-a-dia, mas o ouro português continua a ser muito procurado. Para além dos portugueses terem muitas jóias antigas guardadas, são bons apreciadores de relógios. Por isso mesmo, a empresa RoadshowEU desloca-se com alguma frequência ao nosso país, e particular à Madeira, à procura de jóias e relógios para revenda ou, no caso da joalharia, para a confecção de novas peças. A empresa paga em dinheiro e na hora.
Hoje em dia, o ouro já não é usado como manifestação de posse e riqueza. É cada vez menos frequente o uso de jóias neste material para o dia-a-dia, como antigamente se via nas ruas, com os homens a usarem grossos colares, anéis e relógios e as mulheres, também com jóias ao pescoço, nas mãos e ainda com os alfinetes de peito.
Devido ao seu valor e à ditadura da moda que de certa forma “baniu” o ouro para o uso quotidiano, muitas pessoas têm estes objectos guardados em casa. Podem não gostar das jóias que lhes foram deixadas pelos seus avós ou pais, mas guardam porque “têm valor”. No entanto, são já muitos os madeirenses que vendem as suas jóias. As razões são várias. A falta de dinheiro vivo, o facto de não as usarem e até o medo de ter objectos de valor em casa e de não as quererem guardar noutros sítios. Muitas vezes, também não as exibem no dia-a-dia, por medo. “As pessoas já não se sentem muito seguras, como antigamente”.
Os madeirenses possuem jóias de qualidade, considera Morne Botes, director da empresa RoadshowEU, que esteve nos últimos dias 28 e 29 de Agosto no hotel Savoy à “caça” desse tipo objectos de valor e ainda de relógios, sendo que a procura por este tipo de peça recai na sua antiguidade e alta qualidade.
“Pagamos imediatamente em dinheiro”
A curiosidade da “Olhar” foi despertada por um anúncio de uma página publicado no JM, ilustrado com vários relógios, jóias, medalhas, anéis e diamantes e que chamava a atenção ainda porque dizia em letras de destaque “Pagamos imediatamente em dinheiro” por — lê-se depois em letras intermédias — “jóias, ouro, diamantes, antiguidades e relógios”, “que já não queira ou que estejam até partidos”… Segundo explicou à nossa revista, a RoadshowEU encontra-se em todo o mundo e — é como é o caso da Europa, desloca-se a várias cidades e países para angariar este tipo de objectos junto da população. Esta é a terceira vez que viaja até à Madeira e está já na agenda a próxima visita, 25 e 26 de Setembro. Morne Botes refere que a Região tem um mercado muito bom para a compra de jóias e relógios usados. “De vez em quando voltamos à Madeira porque também gostamos do sol”, brinca o empresário. Na primeira vinda à Região, a sala do Savoy recebeu 150 pessoas. Da segunda vez, em Junho, a Roadshow contou com menos interessados, uma situação explicada pelo estrangeiro, com o calor que se fazia sentir na Região. Esta semana, receberam cerca de uma centena de interessados. Ali, no Savoy, dirigiram-se principalmente pessoas com idades acima dos 50 anos. A par de aproveitarem para se informar sobre o valor dos seus pertences, muitos dos visitantes acabaram por os vender. O estrangeiro explica que os interessados neste tipo de eventos são pessoas que herdaram jóias de famílias ou emigrantes. “Há muito ouro na Madeira” por causa da emigração, sublinha. As pessoas mais novas são raras nestes encontros. Morne Botes diz que os mais jovens não se interessam por este tipo de objectos, apesar de gostarem muito de relógios. A seu ver, este negócio de compra de jóias e de relógios tem um curto prazo de vida. Profetiza que consiga sobreviver por mais cinco anos.
Comprar para revender ou transformer
Mas, o que é feito com os objectos que a Roadshow.EU compra? O responsável explica que as jóias podem ser recuperadas para revenda para todo o mundo ou então, desfeitas para dar lugar a novas, mais modernas. Procurando adquirir joalharia moderna e antiga, empresário refere que o objectivo é comprar pelo valor do material. No caso do ouro, por exemplo, o objectivo é derretê-lo para a confecção de brincos e anéis com novo design, que são vendidos em Londres. Quanto às jóias antigas, um dos destinos pode ser as feiras da especialidade. Os relógios antigos são muitas vezes restaurados para venda em feiras que comercializam estas peças em todo o mundo. Muitas peças são vendidas para intermediários e coleccionadores, refere ainda. Quanto as visitas à Madeira, Morne Botes salienta que da primeira vez, notou que o negócio foi muito bom em termos da compra do ouro. Aliás, diz que em Portugal existe muito ouro de qualidade. A RoadshowEU já esteve em Lisboa, Porto, Braga e Madeira e verificou que “os portugueses têm muitas jóias em ouro. E ao longo da História sempre foi assim”, comenta. Este metal português, de 19 quilates, é de melhor qualidade do que o britânico. Outra vantagem comercial em Portugal é que os homens são apreciadores de bons relógios. “Sempre encontramos cá bons relógios, de marcas como IWC, Omega, Rolex, Breitling, só para citar alguns”. A este respeito e como se lê no anúncio, a empresa pretende adquirir “todos os modelos Rolex, novos, velhos e até partidos”, pagando como mínimo 300 euros. Na Madeira, têm sido mais as mulheres a visitarem este espaço, que avalia na hora as peças e oferece de imediato um preço pelas mesmas. “Aqui, encontramos mais joalharia do que relógios”, refere. Morne Botes esclarece que a empresa avalia todos os objectos que as pessoas apresentarem, aponta um preço a ser pago na hora e quanto iria valer em termos de seguros e em termos de lojas. A propósito, o nosso entrevistado refere que há interessados em vender os produtos, mas que se sentem desiludidos perante a oferta da Roadshow tendo em conta o valor assegurado. Morne Botes refere que muitas vezes, a questão dos seguros acaba por induzir a uma “ilusão” por parte dos proprietários das peças, porque as jóias são muitas vezes asseguradas muito acima do seu real valor. De qualquer modo, este negócio continua a vingar pela Europa. A Madeira continua na agenda da empresa, com nova visita no final deste mês. Entretanto, se tem jóias ou relógios antigos deixados ao esquecimento, esta é uma oportunidade de lhes dar uma nova vida, novo visual e novas viagens…
Paula Abreu
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